Outro dia fui assistir a uma palestra sobre Mídia, na universidade. O palestrante seria o nosso mais novo e ilustre professor, Sr. Ângelo Franzão, presidente da agencia Maccann Ericsson, e jurado em Canes. Bom currículo sem dúvida. A palestra consistia em esclarecer o papel do profissional de mídia dentro de uma agencia de publicidade. C choveu no molhado. Mas não foi isso que me causou impacto, afinal deve ter sido de alguma utilidade a algum aluno que não soubesse a respeito das atribuições dos profissionais de publicidade. O que chamou à atenção – para mim, na verdade, nada de novo ocorreu – foi o comportamento dos alunos presentes.
Entre celulares tocando, grupinhos assistindo vídeos no laptop, meninas trocando impressões sobre determinadas linhas de cosméticos, e evidentemente, piadinhas e gargalhadas ora contidas ora escancaradas, como numa provocação ou desafio aos professores presentes, aos poucos alunos interessados e, porque não, ao próprio palestrante.
Sim, a provocação implícita em tal comportamento é evidente e inegável, como diria Mino Carta “- é de conhecimento até do mundo mineral-”. Esses alunos são os mesmos que não dão bola ou demonstram o menor respeito com os professores ou aos próprios colegas. Falam e brincam sem parar, criam caos e stress em sala de aula. Colam, fazem trabalhos “meia-boca”, tiram a concentração e inibem a participação de outros colegas.
Não, eles não são a maioria. Não constituem casos isolados, tampouco andam solitários. O perfil desses alunos tem características interessantes. São em geral filhinhos de papai que não conhecem o valor do dinheiro e nunca conheceram o suor que tantos oferecem em troca do sustento ou das conquistas. Eles sabem que o papai bem relacionado os colocará em alguma grande empresa, outros trabalharão na empresa da própria família. Eles sabem. Eles sabem que é só esperar o diploma e seguir rumo ao conforto de um lugar “arranjado”, indicações, “cartuchos”, o tal net working do qual eles não poderiam construir baseado em seus esforços, mas o futuro está garantido. Eles não precisam estudar, aprenderão na pratica sob a proteção de algum conhecido, ou cargo arranjado pelo papai. Não precisam respeitar os professores ou colegas, eles têm quem os garanta.
Ah sim, o mercado estará sempre aberto a esse tipo de política e profissionais. O talento muitas vezes sucumbe a uma boa indicação.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
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