Há algum tempo, ouvi dizer que o nome “recrutadores’ adotaria uma nova designação. Passaram a chamar de gestores de RH. E não é só isso. Eles ficaram mais exigentes também, alem do fato da área ter maior crescimento e importância dentro das empresas. Alcançou maior nível profissional também. Incrível, né!
Outro dia li uma matéria na Carta Capital, cuja edição não me recordo com clareza, mas enfim, se referia a quanto à crise repercutiu no numero de ofertas de estágios, alem do impacto da nova legislação em vigor. Na verdade esse assunto torna-se secundário nestas linhas, pois o que me chama à atenção foi o quadro que descrevia as dificuldades de tais gestores de RH para encontrar candidatos de alto nível e que preenchessem o perfil desejado (perfil esse, limitado por preconceitos como idade, classe social - este de forma disfarçada - e outros).
Em determinado processo seletivo onde mais de 500 candidatos concorriam, o tal gestor perguntou qual deles havia lido o jornal daquela manhã. O resultado foi obvio e aproximadamente meia dúzia apresentou-se com mais algumas perguntas constatou-se que de fato apenas 04 havia efetivamente. O tal gestor reclamou quanto à dificuldade existente entre os universitários e demonstrou preocupação com tal realidade.
Ora, perguntando aos meus botões, quis saber onde poderia encontrar tal gestor de RH. Eu explico. Há muito não vejo alguém que conduza um processo seletivo, seja para estagio ou contratado formal, com profissionalismo e em busca do melhor candidato. Em geral o tal “QI’ entra em ação e tudo não passa de encenação”.
O fator “QI” tem sido praticamente a única maneira de conseguir uma vaga de estagio onde não passem o dia servindo cafezinho e atendendo telefone coisas parecidas.
Onde, em nome de Deus, estão os gestores de RH?! Onde podemos encontrar tais profissionais que, com profissionalismo e clareza, possam avaliar não só as competências atuais que cada candidato tem a oferecer, seu potencial, suas experiências de vida, sua bagagem, paixão pela profissão, sem preconceitos tolos como limitações por universidade onde estuda, idade e outros tantos presentes am muitos processos de seleção.
O talento não é tudo. Sem que esteja alinhado com a informação que nos cerca, sem o esforço para lapidar o talento, sem responsabilidade e sem algo que muitos ignoram, o caráter e o quanto isso influencia nu uso das aptidões e da ética.
Quando estou na universidade e olho ao meu redor, percebo essa realidade. Muitos de meus colegas ignoram o habito e a necessidade da leitura de jornais, revistas, discussões e fóruns profissionais, políticos ou qualquer outra espécie de informação que não esteja presente em publicações destinadas exclusivamente à publicidade. Em geral é bem visível a incrível diferença e mesmo alienação quanto a realidade sócio econômica e política do país e do mundo. É como se isso não tivesse influencia sobre suas vidas e futuros, ou pior, como se isso não afetasse o mundo da publicidade. Pudera, muitos irão trabalhar na empresa do papai ou conhecem algum parente ou amigo bem colocado que lhes garantirão uma vaguinha aqui ou acolá. Por incrível que pareça, num mundo cada vez mais competitivo, ainda resta muito espaço para nepotismo e “QI” de toda espécie.
Quanto a nós, pobres mortais, os poucos que tentam na raça, adquirir real e concreto conhecimento, tentando diariamente lapidar nossas aptidões, antenados e conscientes do mundo ao nosso redor, encontramos, infelizmente, com muito freqüência, os limitados recrutadores que se preocupam apenas se você fala bem o inglês, ainda que não vá usá-lo, ou se é jovem o suficiente para aceitar tudo sem questionamentos. Mesmo empresas e agencias de publicidade e marketing parece não se preocupar em ter entre seus colaboradores, os mais promissores profissionais.
Por tudo isso penso onde estariam os tais “Gestores de RH”.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Nossos universitários
Outro dia fui assistir a uma palestra sobre Mídia, na universidade. O palestrante seria o nosso mais novo e ilustre professor, Sr. Ângelo Franzão, presidente da agencia Maccann Ericsson, e jurado em Canes. Bom currículo sem dúvida. A palestra consistia em esclarecer o papel do profissional de mídia dentro de uma agencia de publicidade. C choveu no molhado. Mas não foi isso que me causou impacto, afinal deve ter sido de alguma utilidade a algum aluno que não soubesse a respeito das atribuições dos profissionais de publicidade. O que chamou à atenção – para mim, na verdade, nada de novo ocorreu – foi o comportamento dos alunos presentes.
Entre celulares tocando, grupinhos assistindo vídeos no laptop, meninas trocando impressões sobre determinadas linhas de cosméticos, e evidentemente, piadinhas e gargalhadas ora contidas ora escancaradas, como numa provocação ou desafio aos professores presentes, aos poucos alunos interessados e, porque não, ao próprio palestrante.
Sim, a provocação implícita em tal comportamento é evidente e inegável, como diria Mino Carta “- é de conhecimento até do mundo mineral-”. Esses alunos são os mesmos que não dão bola ou demonstram o menor respeito com os professores ou aos próprios colegas. Falam e brincam sem parar, criam caos e stress em sala de aula. Colam, fazem trabalhos “meia-boca”, tiram a concentração e inibem a participação de outros colegas.
Não, eles não são a maioria. Não constituem casos isolados, tampouco andam solitários. O perfil desses alunos tem características interessantes. São em geral filhinhos de papai que não conhecem o valor do dinheiro e nunca conheceram o suor que tantos oferecem em troca do sustento ou das conquistas. Eles sabem que o papai bem relacionado os colocará em alguma grande empresa, outros trabalharão na empresa da própria família. Eles sabem. Eles sabem que é só esperar o diploma e seguir rumo ao conforto de um lugar “arranjado”, indicações, “cartuchos”, o tal net working do qual eles não poderiam construir baseado em seus esforços, mas o futuro está garantido. Eles não precisam estudar, aprenderão na pratica sob a proteção de algum conhecido, ou cargo arranjado pelo papai. Não precisam respeitar os professores ou colegas, eles têm quem os garanta.
Ah sim, o mercado estará sempre aberto a esse tipo de política e profissionais. O talento muitas vezes sucumbe a uma boa indicação.
Entre celulares tocando, grupinhos assistindo vídeos no laptop, meninas trocando impressões sobre determinadas linhas de cosméticos, e evidentemente, piadinhas e gargalhadas ora contidas ora escancaradas, como numa provocação ou desafio aos professores presentes, aos poucos alunos interessados e, porque não, ao próprio palestrante.
Sim, a provocação implícita em tal comportamento é evidente e inegável, como diria Mino Carta “- é de conhecimento até do mundo mineral-”. Esses alunos são os mesmos que não dão bola ou demonstram o menor respeito com os professores ou aos próprios colegas. Falam e brincam sem parar, criam caos e stress em sala de aula. Colam, fazem trabalhos “meia-boca”, tiram a concentração e inibem a participação de outros colegas.
Não, eles não são a maioria. Não constituem casos isolados, tampouco andam solitários. O perfil desses alunos tem características interessantes. São em geral filhinhos de papai que não conhecem o valor do dinheiro e nunca conheceram o suor que tantos oferecem em troca do sustento ou das conquistas. Eles sabem que o papai bem relacionado os colocará em alguma grande empresa, outros trabalharão na empresa da própria família. Eles sabem. Eles sabem que é só esperar o diploma e seguir rumo ao conforto de um lugar “arranjado”, indicações, “cartuchos”, o tal net working do qual eles não poderiam construir baseado em seus esforços, mas o futuro está garantido. Eles não precisam estudar, aprenderão na pratica sob a proteção de algum conhecido, ou cargo arranjado pelo papai. Não precisam respeitar os professores ou colegas, eles têm quem os garanta.
Ah sim, o mercado estará sempre aberto a esse tipo de política e profissionais. O talento muitas vezes sucumbe a uma boa indicação.
A crise chegou
Para inaugurar oficialmente este blog, hoje vou expor a situação financeira (que para quem não sabe, reflete diretamente na qualidade do ensino) de muitas universidades brasileiras, principalmente em São Paulo.
A crise chegou e agravou ainda mais a eterna dificuldade na qual vive nosso sistema educacional, seja publico ou privado, básico, médio, técnico ou superior. Para não me alongar demasiado vou ater-me ao caso das instituições privadas de ensino superior.
Em recente editorial, o jornal O Estado de São Paulo datado de 15 de março, expõe a fragilidade em que se encontram algumas instituições.
Na volta às aulas, três tradicionais escolas de nivel superior, que juntas detêm cerca de 30 mil alunos matriculados, enfrentam dificuldades financeiras.Duas começaram o ano sem ter pagado os salários de novembro, dezembro e o 13º salário do corpo docente. A terceira iniciou o ano letivo com greve de professores e alunos, por terem substituído professores com doutorado e mestrado por professores sem pós-graduação, para reduzir custos.
Com cerca de 4,5 milhões de alunos, as universidades privadas detêm cerca de 37% das matriculas do ensino superior no país.
Elas alegam que, por causa da crise, houve uma queda na demanda de vagas por vestibulandos, a taxa de evasão escolar disparou e os alunos que permaneceram, passam a atrasar os pagamentos ou trancar a matricula.
No final de fevereiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a abertura de uma linha especial de financiamento para os empresários do setor. Porém a liberação só servirá às universidades com nota entre 3 e 5 no Índice de Cursos do Ministério da Educação.
Em dificuldades, as pequenas e médias universidades passaram a ser comprada pelas grandes instituições de ensino superior. A Universidade Ibirapuera, uma dessas, criada há 04 décadas, teve uma redução de 12 mil para 06 mil alunos, entre 2007 e 2008.
O crescimento desordenado do setor também contribuiu de forma importante para tal cenário. Na atual década, só para usar como exemplo os anos entre 2002 e 2005, o numero de universidades privadas aumentou 35% e o numero de cursos, 56%. No mesmo período, as matriculas só aumentaram 28%.
A crise chegou e agravou ainda mais a eterna dificuldade na qual vive nosso sistema educacional, seja publico ou privado, básico, médio, técnico ou superior. Para não me alongar demasiado vou ater-me ao caso das instituições privadas de ensino superior.
Em recente editorial, o jornal O Estado de São Paulo datado de 15 de março, expõe a fragilidade em que se encontram algumas instituições.
Na volta às aulas, três tradicionais escolas de nivel superior, que juntas detêm cerca de 30 mil alunos matriculados, enfrentam dificuldades financeiras.Duas começaram o ano sem ter pagado os salários de novembro, dezembro e o 13º salário do corpo docente. A terceira iniciou o ano letivo com greve de professores e alunos, por terem substituído professores com doutorado e mestrado por professores sem pós-graduação, para reduzir custos.
Com cerca de 4,5 milhões de alunos, as universidades privadas detêm cerca de 37% das matriculas do ensino superior no país.
Elas alegam que, por causa da crise, houve uma queda na demanda de vagas por vestibulandos, a taxa de evasão escolar disparou e os alunos que permaneceram, passam a atrasar os pagamentos ou trancar a matricula.
No final de fevereiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a abertura de uma linha especial de financiamento para os empresários do setor. Porém a liberação só servirá às universidades com nota entre 3 e 5 no Índice de Cursos do Ministério da Educação.
Em dificuldades, as pequenas e médias universidades passaram a ser comprada pelas grandes instituições de ensino superior. A Universidade Ibirapuera, uma dessas, criada há 04 décadas, teve uma redução de 12 mil para 06 mil alunos, entre 2007 e 2008.
O crescimento desordenado do setor também contribuiu de forma importante para tal cenário. Na atual década, só para usar como exemplo os anos entre 2002 e 2005, o numero de universidades privadas aumentou 35% e o numero de cursos, 56%. No mesmo período, as matriculas só aumentaram 28%.
Boas vindas
Blog do Universitário
Olá! Sejam bem vindos todos os escassos visitantes desta página, que se dispõe a discutir todos os assuntos relacionados ao universo dos estudantes universitários.
Eu sei, eu sei! Provavelmente não serão discussões lá muito entusiasmadas ou de grande amplitude. Inicialmente, penso que será uma espécie de monólogo eu reflexões solitárias. Não há problema, o importante é que existe a atitude e disposição para expor pontos de vista, idéias, indignação , enfim, tudo aquilo que pensamos ser relevantes aos nossos interesses enquanto estudantes universitários.
Assim, espero estar contribuindo para que, ao longo dos anos, um ou dois visitantes possam conhecer perspectivas diferentes a cerca desse complexo, estressante, por vezes espinhoso, porém não pouco saudoso e emocionante ciclo, cada vez mais presente na vida dos jovens brasileiros.
Em breve serão postados materiais, textos, curiosidades, dicas, críticas (minha especialidade) e minha mordaz visão sobre a vida acadêmica.
Bom, espero cumprir aquilo que idealizei com a idéia deste blog, e conto com a ajuda e participação dos caros e esporádicos visitantes.
Um abraço!
Olá! Sejam bem vindos todos os escassos visitantes desta página, que se dispõe a discutir todos os assuntos relacionados ao universo dos estudantes universitários.
Eu sei, eu sei! Provavelmente não serão discussões lá muito entusiasmadas ou de grande amplitude. Inicialmente, penso que será uma espécie de monólogo eu reflexões solitárias. Não há problema, o importante é que existe a atitude e disposição para expor pontos de vista, idéias, indignação , enfim, tudo aquilo que pensamos ser relevantes aos nossos interesses enquanto estudantes universitários.
Assim, espero estar contribuindo para que, ao longo dos anos, um ou dois visitantes possam conhecer perspectivas diferentes a cerca desse complexo, estressante, por vezes espinhoso, porém não pouco saudoso e emocionante ciclo, cada vez mais presente na vida dos jovens brasileiros.
Em breve serão postados materiais, textos, curiosidades, dicas, críticas (minha especialidade) e minha mordaz visão sobre a vida acadêmica.
Bom, espero cumprir aquilo que idealizei com a idéia deste blog, e conto com a ajuda e participação dos caros e esporádicos visitantes.
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