terça-feira, 16 de junho de 2009

BBB: UMA FÁBRICA DE ALIENAR PESSOAS.

BBB: UMA FÁBRICA DE ALIENAR PESSOAS.
PALAVRA ABALIZADA DO JURISTA REALE JR.: Artigo do Prof. MIGUEL REALE JÚNIOR
Programas como Big Brother indicam a completa perda do pudor, ausência de noção do que cabe permanecer entre quatro paredes. Desfazer-se a diferença entre o que deve ser exibido e o que deve ser ocultado. Assim, expõe-se ao grande público a realidade íntima das pessoas por meios virtuais, com absoluto desvelamento das zonas de exclusividade. A privacidade passa a ser vivida no espaço público.
O Big Brother Brasil, a Baixaria Brega do Brasil, faz de todos os telespectadores voyeurs de cenas protagonizadas na realidade de uma casa ocupada por pessoas que expõem publicamente suas zonas de vida mais íntima, em busca de dinheiro e sucesso. Tentei acompanhar o programa. Suportei apenas dez minutos: o suficiente para notar que estes violadores da própria privacidade falam em péssimo português obviedades com pretenso ar pascaliano, com jeito ansioso de serem engraçadamente profundos.
Mas o público concede elevadas audiências de 35 pontos e aciona, mediante pagamento da ligação, 18 milhões de telefonemas para participar do chamado "paredão", quando um dos protagonistas há de ser eliminado. Por sites da internet se pode saber do dia-a-dia desse reino do despudor e do mau gosto. As moças ensinam a dança do bumbum para cima. As festas abrem espaço para a sacanagem geral. Uma das moças no baile funk bebe sem parar.. Embriagada, levanta a blusa, a mostrar os seios. Depois, no banheiro, se põe a fazer depilação. Uma das participantes acorda com sangue nos lençóis, a revelar ter tido menstruação durante a noite. Outra convivente resiste a uma conquista, mas depois de assediada cede ao cerco com cinematográfico beijo no insistente conquistador que em seguida ridiculamente chora por ter traído a namorada à vista de todo o Brasil. A moça assediada, no entanto, diz que o beijo superou as expectativas. É possível conjunto mais significativo de vulgaridade chocante?
Instala-se o império do mau gosto. O programa gera a perda do respeito de si mesmo por parte dos protagonistas, prometendo-lhes sucesso ao custo da violação consentida da intimidade. Mas o pior: estimula o telespectador a se divertir com a baixeza e a intimidade alheia. O Big Brother explora os maus instintos ao promover o exemplo de bebedeiras, de erotismo tosco e ilimitado, de burrice continuada, num festival de elevada deselegância.
O gosto do mal e mau gosto são igualmente sinais dos tempos, caracterizados pela decomposição dos valores da pessoa humana, portadora de dignidade só realizável de fixados limites intransponíveis de respeito a si própria e ao próximo, de preservação da privacidade e de vivência da solidariedade na comunhão social. O grande desafio de hoje é de ordem ética: construir uma vida em que o outro não valha apenas por satisfazer necessidades sensíveis.
Proletários do espírito, uni-vos, para se libertarem dos grilhões da mundialização, que plastifica as consciências.
Miguel Reale Júnior, advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras.
O Estado de São Paulo, 02 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

MINHA DIRETORA DE PLANEJAMENTO/SOHO 141. É NÓIS NA FITA



Me mandaram colocar uma imagem que eu fizesse da diretora de planejamento. Eu fiz. Tá aí, ó...

Pra bom entendedor...

Peça de comunicação/ estagiario Soho 141

Comentando as imagens abaixo;
Peça de comunicação; Totem loja BRIDGESTONE


Este totem pertence à primeira loja de revenda de varejo e atacado da Bridgestone no Brasil e que se chama A Esquina dos Pneus. Há 40 anos este totem existe na fachada da loja sem sofrer nenhuma alteração.
Nesta loja são centralizadas as gravações de comerciais da Bridgestone e é, segundo o gerente de comunicação, o ponto de partida para a promoção da Fórmula 1.
A Bridgestone vem participando da Fórmula 1 há muitos anos, mas neste ano, especificamente, é fornecedora de pneus exclusiva da Fórmula 1. Os preparativos para lançamento da campanha para o GP Brasil já estão em andamento, e chama à atenção a fachada das lojas, mas principalmente esta peça de comunicação que é a primeira comunicação entre a loja e o público.
Sendo uma peça que tem por objetivo representar o logotipo da loja, comunicar ao publico os serviços oferecidos, mas acima de tudo o conceito Bridgestone que tem como maior foco de comunicação a presença na Fórmula 1, a tecnologia, segurança e modernidade. Tudo o que esse totem não representa.
A direção da loja, que segundo a gerencia, fica sob supervisão direta da Bridgestone do Brasil, aparentemente perdeu o foco de comunicação e destoa da campanha da empresa, pois concentra-se em comunicar os serviços de vendas de pneus, ao invés de comunicar o conceito que a Fórmula 1 oferece e proporciona, e onde as campanhas da própria fábrica reforçam. Não só o conceito de bons pneus, mas de confiança, segurança, tecnologia e conforto.
A loja se apega a idéia de vender pneus e não ao conceito de oferecer o significado da marca.
A revitalização ou reconstrução conceitual da fachada e principalmente do totem é necessária para fazer o alinhamento entre a campanha nacional da Bridgestone e suas lojas e adequar-se ao atual conceito de comunicação e posicionamento da marca.
A falta de planejamento mais abrangente e uniforme de todos os canais de representação e comunicação da marca pode causar ruídos ou tornar menos eficaz à estratégia de comunicação e posicionamento da Bridgestone.






















































quinta-feira, 21 de maio de 2009

Gestão em RH

Há algum tempo, ouvi dizer que o nome “recrutadores’ adotaria uma nova designação. Passaram a chamar de gestores de RH. E não é só isso. Eles ficaram mais exigentes também, alem do fato da área ter maior crescimento e importância dentro das empresas. Alcançou maior nível profissional também. Incrível, né!
Outro dia li uma matéria na Carta Capital, cuja edição não me recordo com clareza, mas enfim, se referia a quanto à crise repercutiu no numero de ofertas de estágios, alem do impacto da nova legislação em vigor. Na verdade esse assunto torna-se secundário nestas linhas, pois o que me chama à atenção foi o quadro que descrevia as dificuldades de tais gestores de RH para encontrar candidatos de alto nível e que preenchessem o perfil desejado (perfil esse, limitado por preconceitos como idade, classe social - este de forma disfarçada - e outros).
Em determinado processo seletivo onde mais de 500 candidatos concorriam, o tal gestor perguntou qual deles havia lido o jornal daquela manhã. O resultado foi obvio e aproximadamente meia dúzia apresentou-se com mais algumas perguntas constatou-se que de fato apenas 04 havia efetivamente. O tal gestor reclamou quanto à dificuldade existente entre os universitários e demonstrou preocupação com tal realidade.
Ora, perguntando aos meus botões, quis saber onde poderia encontrar tal gestor de RH. Eu explico. Há muito não vejo alguém que conduza um processo seletivo, seja para estagio ou contratado formal, com profissionalismo e em busca do melhor candidato. Em geral o tal “QI’ entra em ação e tudo não passa de encenação”.
O fator “QI” tem sido praticamente a única maneira de conseguir uma vaga de estagio onde não passem o dia servindo cafezinho e atendendo telefone coisas parecidas.
Onde, em nome de Deus, estão os gestores de RH?! Onde podemos encontrar tais profissionais que, com profissionalismo e clareza, possam avaliar não só as competências atuais que cada candidato tem a oferecer, seu potencial, suas experiências de vida, sua bagagem, paixão pela profissão, sem preconceitos tolos como limitações por universidade onde estuda, idade e outros tantos presentes am muitos processos de seleção.
O talento não é tudo. Sem que esteja alinhado com a informação que nos cerca, sem o esforço para lapidar o talento, sem responsabilidade e sem algo que muitos ignoram, o caráter e o quanto isso influencia nu uso das aptidões e da ética.
Quando estou na universidade e olho ao meu redor, percebo essa realidade. Muitos de meus colegas ignoram o habito e a necessidade da leitura de jornais, revistas, discussões e fóruns profissionais, políticos ou qualquer outra espécie de informação que não esteja presente em publicações destinadas exclusivamente à publicidade. Em geral é bem visível a incrível diferença e mesmo alienação quanto a realidade sócio econômica e política do país e do mundo. É como se isso não tivesse influencia sobre suas vidas e futuros, ou pior, como se isso não afetasse o mundo da publicidade. Pudera, muitos irão trabalhar na empresa do papai ou conhecem algum parente ou amigo bem colocado que lhes garantirão uma vaguinha aqui ou acolá. Por incrível que pareça, num mundo cada vez mais competitivo, ainda resta muito espaço para nepotismo e “QI” de toda espécie.
Quanto a nós, pobres mortais, os poucos que tentam na raça, adquirir real e concreto conhecimento, tentando diariamente lapidar nossas aptidões, antenados e conscientes do mundo ao nosso redor, encontramos, infelizmente, com muito freqüência, os limitados recrutadores que se preocupam apenas se você fala bem o inglês, ainda que não vá usá-lo, ou se é jovem o suficiente para aceitar tudo sem questionamentos. Mesmo empresas e agencias de publicidade e marketing parece não se preocupar em ter entre seus colaboradores, os mais promissores profissionais.
Por tudo isso penso onde estariam os tais “Gestores de RH”.

Nossos universitários

Outro dia fui assistir a uma palestra sobre Mídia, na universidade. O palestrante seria o nosso mais novo e ilustre professor, Sr. Ângelo Franzão, presidente da agencia Maccann Ericsson, e jurado em Canes. Bom currículo sem dúvida. A palestra consistia em esclarecer o papel do profissional de mídia dentro de uma agencia de publicidade. C choveu no molhado. Mas não foi isso que me causou impacto, afinal deve ter sido de alguma utilidade a algum aluno que não soubesse a respeito das atribuições dos profissionais de publicidade. O que chamou à atenção – para mim, na verdade, nada de novo ocorreu – foi o comportamento dos alunos presentes.
Entre celulares tocando, grupinhos assistindo vídeos no laptop, meninas trocando impressões sobre determinadas linhas de cosméticos, e evidentemente, piadinhas e gargalhadas ora contidas ora escancaradas, como numa provocação ou desafio aos professores presentes, aos poucos alunos interessados e, porque não, ao próprio palestrante.
Sim, a provocação implícita em tal comportamento é evidente e inegável, como diria Mino Carta “- é de conhecimento até do mundo mineral-”. Esses alunos são os mesmos que não dão bola ou demonstram o menor respeito com os professores ou aos próprios colegas. Falam e brincam sem parar, criam caos e stress em sala de aula. Colam, fazem trabalhos “meia-boca”, tiram a concentração e inibem a participação de outros colegas.
Não, eles não são a maioria. Não constituem casos isolados, tampouco andam solitários. O perfil desses alunos tem características interessantes. São em geral filhinhos de papai que não conhecem o valor do dinheiro e nunca conheceram o suor que tantos oferecem em troca do sustento ou das conquistas. Eles sabem que o papai bem relacionado os colocará em alguma grande empresa, outros trabalharão na empresa da própria família. Eles sabem. Eles sabem que é só esperar o diploma e seguir rumo ao conforto de um lugar “arranjado”, indicações, “cartuchos”, o tal net working do qual eles não poderiam construir baseado em seus esforços, mas o futuro está garantido. Eles não precisam estudar, aprenderão na pratica sob a proteção de algum conhecido, ou cargo arranjado pelo papai. Não precisam respeitar os professores ou colegas, eles têm quem os garanta.
Ah sim, o mercado estará sempre aberto a esse tipo de política e profissionais. O talento muitas vezes sucumbe a uma boa indicação.

A crise chegou

Para inaugurar oficialmente este blog, hoje vou expor a situação financeira (que para quem não sabe, reflete diretamente na qualidade do ensino) de muitas universidades brasileiras, principalmente em São Paulo.
A crise chegou e agravou ainda mais a eterna dificuldade na qual vive nosso sistema educacional, seja publico ou privado, básico, médio, técnico ou superior. Para não me alongar demasiado vou ater-me ao caso das instituições privadas de ensino superior.
Em recente editorial, o jornal O Estado de São Paulo datado de 15 de março, expõe a fragilidade em que se encontram algumas instituições.
Na volta às aulas, três tradicionais escolas de nivel superior, que juntas detêm cerca de 30 mil alunos matriculados, enfrentam dificuldades financeiras.Duas começaram o ano sem ter pagado os salários de novembro, dezembro e o 13º salário do corpo docente. A terceira iniciou o ano letivo com greve de professores e alunos, por terem substituído professores com doutorado e mestrado por professores sem pós-graduação, para reduzir custos.
Com cerca de 4,5 milhões de alunos, as universidades privadas detêm cerca de 37% das matriculas do ensino superior no país.
Elas alegam que, por causa da crise, houve uma queda na demanda de vagas por vestibulandos, a taxa de evasão escolar disparou e os alunos que permaneceram, passam a atrasar os pagamentos ou trancar a matricula.
No final de fevereiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a abertura de uma linha especial de financiamento para os empresários do setor. Porém a liberação só servirá às universidades com nota entre 3 e 5 no Índice de Cursos do Ministério da Educação.
Em dificuldades, as pequenas e médias universidades passaram a ser comprada pelas grandes instituições de ensino superior. A Universidade Ibirapuera, uma dessas, criada há 04 décadas, teve uma redução de 12 mil para 06 mil alunos, entre 2007 e 2008.
O crescimento desordenado do setor também contribuiu de forma importante para tal cenário. Na atual década, só para usar como exemplo os anos entre 2002 e 2005, o numero de universidades privadas aumentou 35% e o numero de cursos, 56%. No mesmo período, as matriculas só aumentaram 28%.